arte, tempo, vovó e yt

February 15, 2021 alguém aí também curte foto antiga? eu adoro essa conta no tt essas duas parecem pinturas. pintura é um tema recorrente aqui atualmente, acho que é porque estou lendo (há meses, é um livrão gigante, acho até que já postei algo desse livro aqui) a biografia do van gogh. cara, o vincent era mais piradão do que eu pensava. ele era o cara intenso que as pessoas desviavam na calçada. olha aqui um dos pintores impressionistas descrevendo o vincent (aliás, eles só interagiam com ele por causa do irmão theo, que era um galerista requisitado. sim, bando de interesseiros): "Em contatos diretos, zombavam de seus entusiasmos ingênuos e se irritavam com seu moralismo arrogante, mas temiam seu gênio estourado. Raras vezes iam a seu ateliê e morriam de medo que ele fosse aos deles, pois tinham ouvido histórias de que “[ele] rasgava a roupa e caía de joelhos para reforçar algum argumento e nada conseguia acalmá-lo”, segundo o relato de uma dessas visitas. Camille e Lucien Pissarro, talvez os frequentadores mais regulares do apartamento dos irmãos, uma vez encontraram Vincent na Rue Lepic, voltando de um dia de pintura ao ar livre. Ansioso em mostrar seu último trabalho, Vincent largou seus apetrechos no meio da calçada movimentada e estendeu as telas ainda úmidas no muro, “para o grande espanto dos transeuntes”, segundo Lucien. Com base neste e certamente em outros episódios semelhantes, Camille chegou à conclusão de que Vincent, com quase toda a certeza, estava ficando louco. Guillaumin chegou à mesma conclusão quando Vincent foi visitar seu ateliê e logo começou a criticar suas pinturas de homens descarregando areia, “gritando que os movimentos estavam todos errados, e começou a saltar pelo ateliê, empunhando uma pá imaginária, agitando os braços, fazendo o que considerava ser os gestos adequados”. A cena fez Guillaumin se lembrar de uma pintura de Delacroix, Tasso no manicômio. Mas manter a boa educação diante de um louco era um preço pequeno para ter a chance de expor no entresol." (from "Van Gogh: A vida" by Gregory White Smith, Steven Naifeh, Denise Bottmann) inteeeenso. esse livro é bonzão. os caras analisaram todas as cartas que ele recebeu e enviou (e cara, é muuuuita carta, o vincent gostava de escrever cartas, era quase um escritor compulsivo de cartas. hoje ele certamente teria uma newsletter, hehe), além da vida do vincent, tem todo um retrato do mundo artístico da época. ó esse trecho aqui, quando ele chega na casa amarela de arles: "Mas, para Vincent, era um paraíso. Onde outros viam um interior com a caiação descascada, um chão de tijolo áspero e aposentos inabitáveis, Vincent via um espaço sereno como de uma igreja. “Aqui posso viver e respirar, meditar e pintar”, escreveu. Em vez de uma área decadente por onde as pessoas apenas passavam, Vincent via um jardim do Éden de vegetação sempre luxuriante, com um céu sempre “intensamente azul”. Disse que a praça empoeirada era “deliciosa” e se gabou à irmã Wil de que as janelas “dão para um jardim público muito bonito, de onde se pode ver o sol nascer de manhã”. Em vez de decadência e depravação, Vincent via caricaturas de Daumier, cenas de romances de Flaubert, paisagens de Monet e, nos frequentadores do café noturno, “puro Zola”. Place Lamartine, Arles. Onde outros viam uma coisa feia e arruinada, Vincent viu um lar.” não dá vontade de dar um abração nessa poliana? não muito porque ele era mei doidão, mas não tem como não admirar essa perseverança e vontade de ver beleza nas ruínas.

olha o bowie aqui falando sobre pintura (em inglês) eu ainda sinto saudade desse cara como se fosse um amigo que perdi. um negócio que eu acho muito massa nesses videos de arte no yt é que a sessão de comentários costuma ser muito interessante. acho que é o único lugar da internet que se pode admirar os comentários. tipo esse: "I totally get the feeling he's describing about forcing oneself to finish a piece of art. I think there's a certain catharsis that happens afterwards, because the process of finishing a piece of artwork is a struggle and a battle. It's a battle with your ego, your perfectionism, vulnerability, insecurities, and you have to basically drag yourself by the collar through the finish line. Once that's done you're filled with a sense of relief from being able to walk away from your baggage and achievement for reaching that goal, but that doesn't last long until you're filled with a sense of emptiness coming down from that high. Then you move on to the next project so you can repeat the process all over again." falando em arte: fiz curadoria pra uma exposição pela primeira vez e to empolgada! estreia em abril e mais perto da data conto mais. TEMPO (tempo tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei) a noção de tempo também anda distorcida pra vocês? meus dias estão iguais, a rotina ficou intensa (intensa no sentido de fazer tudo igual, na mesma ordem, no mesmo horário) e mesmo assim os dias são curtos. eu acordo, como, olhos os passarinhos, trabalho e vou dormir. são poucas coisas dentro de um dia e mesmo assim eles passam voando. aí quando eu penso no início do ano passado (pré pandemia ainda) me parece que faz aaaanos. eu vejo fotos das minhas últimas interações sociais e parece que tem outra pessoa ali. até fisicamente eu me sinto diferente. uma outra vida. VACINA PRA VÓ minha vó foi vacinada hoje (dia 11), há poucos minutos. vários amigos comemorando seus avós sendo vacinados e isso dá um quentinho de esperança. ela tem 91 anos, uma das mulheres mais fortes que eu conheço, dona de loja ("pinta e borda" de lãs e aviamentos) que ela tocava praticamente sozinha. ela era totalmente independente. nos esperava sempre com café e bolo de laranja. no início do ano passado começaram os problemas de memória, a confusão mental. em seguida ela caiu e teve que ficar de cama por meses, uma coisa terrível pra uma pessoa que sempre foi muito ativa. super sociável, a casa dela era tipo um point de conversa, onde as pessoas iam pra tomar chimarrão em cadeiras de praia na frente da casa, conversar, olhar o movimento e cumprimentar cada passante na rua, sabe como é cidade pequena. acamada e no meio de uma pandemia isso não é mais possível. eu adoro que a casa da vó é cheia de plantas (ela tem um dedo muito verde) e a minha planta preferida é uma samambaia/avenca de uns 40 anos que fica na salinha do chimarrão e foi batizada de fofoqueira, pois ela fica ouvindo as conversas e, segundo meu tio, esse é o segredo da longevidade e beleza de fofoqueira.

saudades vó, cantinho do chimarrão e fofoqueira A SAGA DO GIBI não contente em ter mil páginas pra desenhar eu resolvi refazer várias que já estavam prontas, tipo essa:

mudei personagens, cenários, cores.... *suspiro* um dia termino. uns links: bill murray contando como uma pintura salvou a vida dele (em inglês) é essa pintura aqui:

esse vídeo de uma hora com o david lynch fumando, observando a chuva e filosofando sobre arte (em inglês) Dá pra assistir todo o documentário dele no yt (em inglês) até mais, jacarés!


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