top of page

Praticar uma arte, não importa como, bem ou mal #35 sucesso, dopamina, kurt vonnegut, lança


Olá pessoal! Espero que estejam todos bem. Aqui na samantalândia começa o tal inferno astral. No meu caso é simplesmente porque eu não gosto muito de fazer aniversário. Não sei bem porque, não é só por causa da velhice implícita, desde criança não curto muito. Mas vamos lá, quase completando 43 outonos nesse mundão.

Eu estava lendo a maravilhosa newsletter da Aline Valek (já se inscreveu, né) e nessa última edição ela fala sobre sucesso. O que é sucesso pra você? Ela cita um conselho do pai dela:

Thanks for reading da minha mesa de desenho! Subscribe for free to receive new posts and support my work. Subscribed

Desde muito nova, quando meu pai repetia incessantemente o conselho "estuda, moça, estuda", tenho me agarrado a esse objetivo como uma bússola. Mesmo quando eu não tinha nada, eu tinha vontade de aprender. Mesmo que eu perca tudo, que o número de seguidores desapareça, que não me chamem mais para trabalhos, que eu seja cancelada e esquecida, que eu fique sem dinheiro, as coisas que aprendi ninguém vai poder tirar de mim.

E na hora me veio o conselho do meu próprio pai, algo bem parecido, que ele ouvia da mãe desde que era menino: “eles podem te tirar tudo, menos conhecimento”. Pra mim, minha vó foi um exemplo de sucesso: ela foi uma mulher muito forte. Pobre, não teve chance de estudar, enviuvou muito nova (meu pai, o caçula, mal o conheceu) e se viu sozinha com 4 filhos. Apesar de não ter tido muita educação, era uma mulher inteligente que sabia a importância dos estudos. Trabalhando como costureira ela colocou os 4 filhos na faculdade. Meu pai precisou começar a trabalhar aos 14 anos, mas minha vó sempre repetia esse mantra. Ele e os irmãos precisavam trabalhar mas não podiam parar de estudar.

Assim como meu pai não conheceu direito o pai dele, eu também não pude conviver muito com a minha vó Ada. E apesar de não ser uma pessoa religiosa, gosto de pensar que ela está perto: durmo ao lado da mesma mesinha de cabeceira que ela, com o mesmo quadrinho de oração à São Francisco de Assis.


 

Caio







aqui estou eu faceira no meu terceiro ano de vida


 

Dia das mães com desconto - hora do jabá (desculpa)

Tá sem ideia de presente pra tua coroa? Tem desconto de 10% nos retratinhos até o dia 11!

É uma mamãe que quer se tatuar? Também tem 10% de desconto em tatuagens de qualquer temática, meus desenhos prontos ou a tua ideia. Em Porto Alegre ou Pelotas.

 

E essa foto restaurada do van gogh? Tão bonitinho e saudável.



 

O que você diria para o seu eu de 15 anos?

Eu começaria com: tudo bem não saber o que você vai fazer pelo resto da vida aos 17 anos. Aliás, você pode mudar de caminho muitas vezes durante uma vida, não é necessário seguir um caminho fixado lá no começo.

E aí pro meu eu de 20 e poucos eu diria: você pode escrever, desenhar, pintar sem ser profissional, pode criar só por criar, escrever só por escrever. Não precisa ser bom. Não é necessário ganhar dinheiro ou ter uma audiência. Essas coisas são legais, mas se forem o motivo pra começar qualquer coisa artística eventualmente você vai se frustrar. É o processo que conta.

Aí esses dias eu me deparei com esse trecho: de “Um homem sem Pátria” do queridão Kurt Vonnegut: ”Praticar uma arte, não importa como, bem ou mal, é um caminho para fazer sua alma crescer, pelo amor de Deus. Cante no chuveiro. Dance para o rádio. Conte histórias. Escreva um poema a um amigo, mesmo um péssimo poema. Faça isso tão bem quanto puder fazer. Você terá uma enorme recompensa. Você terá criado alguma coisa”

Em 2006, já no final da vida, ele também mandou essa carta pra umas crianças na mesma vibe (em inglês).



Esses dias eu tava vendo um episódio do Huberman (eu sou muito hubernette, aprendo demais com esse home) sobre dopamina e lá estava o conselho, que eu anotei aqui no meu caderninho: pra manter uma boa baseline (eu não sei traduzir isso desculpe) de dopamina o esforço tem que ser a recompensa. Acho que tem a ver com a ideia do Kurtão, hein. Você faz pelo prazer no processo, sem focar no resultado ou em perfeição. E ainda ajuda na tua dopamina, uhuu!

Eu também aprendi: sabe quando você volta de uma viagem ou quando termina um projeto longo, quando participa de um evento, etc, algo muito massa, mas aí nos dias seguintes você se sente desanimado e até um pouco deprê. É a sua dopamina caindo depois de ter subido muito. É normal e vai passar: tem que esperar ela voltar ao normal, à sua baseline. Isso parece meio óbvio, mas eu sempre me senti mal por ficar meio depre depois de algo legal, tipo, me sentindo ingrata por não estar faceira pela conquista. Mas ok, agora eu sei que é normal e passageiro, eu não sou uma mimada que não consegue curtir as coisas.

Nesse episódio ele também recomenda banho frio pra aumentar dopamina, mas esse conselho eu não consigo seguir, não, desculpa aí huberman.


Esse mês não teve muita tirinha Elas vêm quando querem. Às vezes eu acho que cansei desse formato autobiográfico e nunca mais quero fazer, mas aí elas começam a acumular na minha cabeça pedindo pra sair e eu vou lá e desenho. Ainda sobre sucesso: tirinhas sempre têm uma performance muito melhor nas redes. Elas fazem sucesso? Comparando com o outro tipo de conteúdo que eu faço, sim. Meus desenhos e tatus sempre fracassam (fracassar nesse contexto de rede social onde o que conta é like e comentário). Fazer pelo prazer de fazer. Mas também não vou dar uma de super desapegada aqui e dizer que não ligo nada pra números, né. A gente sempre liga um pouquinho.



 

Tava lendo uma entrevista com o criador das Meninas Superpoderosas e esse trecho aqui me chamou atenção:

So, yeah, I’ve drawn a lot. I just like doing it. It’s meditative; it’s relaxing. I’ve found that, if I don’t draw for a period of time, I tend to get depressed and just get frustrated. Then I’m like, “What’s the matter with me?” And I realize, “Oh, I haven’t drawn for three weeks.” It’s not even doing finished drawings — it’s just doodling something, or drawing something on a Post-it. Just going through that process is healthy for me and helps keep me sane.

Assim como o Craig eu também tenho essa necessidade quase visceral de desenhar. Desenhar como meditação, essa é uma ideia que eu aprendi uns anos atrás e me ajuda demaaaaais. Eu tenho caderninhos espalhados pela casa, ao lado do computador, na cozinha, na sala. Na maioria das vezes nem são desenhos exatamente, são apenas manchas e traços. Fazer essas marcas no papel me relaxam mais do que meditar. Então fica a dica pra você, amigo ansioso: pega umas canetas e vai rabiscar. Não precisa saber desenhar.

Aprendi bastante sobre esse conceito num curso do Hiro “o desenhista ansioso” (não lembro se o nome era exatamente esse). Bom demais. Aliás, Hiro tem ótimos cursos pra soltar o traço, olha lá.



num bekoskine!


Falando em Bekobook: temos uma data de lançamento: 25 de maio



desenhado num bekobook hehe


 

Fico sempre muito feliz quando alguém me escolhe pra fazer sua primeira tatu. E quando voltam pouco tempo depois pra fazer outras é ainda mais legal! A Beatriz começou com um passarinho cafeinado na coxa e aí esse mês ela voltou pra fazer a segunda tatu e dessa vez ela foi direto num desenhão:


uma mistura de Mononoke com Faunwood


É isso! Até a próxima pessoal!



6 visualizações0 comentário

Comments


bottom of page